Homilia Semanal | XXII Semana do Tempo Comum

 

                              DOM MARLINDO Card. ARAÚJO

Pregador da Metrópole
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Homilia Semanal
para a XXII Semana do Tempo Comum
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A liturgia do XXII Domingo do Tempo Comum pode ser acessada clicando aqui.

Estimados irmãos e irmãs, paz e bem!

A Palavra de Deus neste domingo é como uma grande escola de humildade. O livro do Eclesiástico já nos adverte: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor” (Eclo 3,19-20). A verdadeira grandeza não está no brilho humano, mas em um coração que se inclina diante de Deus.

Vivemos em nossa arquidiocese um tempo de bênçãos. O Senhor tem derramado sobre nós frutos abundantes: vemos vocações surgindo, pessoas se reanimando na fé, jovens mais próximos da Igreja. É um tempo de esperança. Mas, irmãos, o que dará sentido a tudo isso é a humildade. Sem humildade, os frutos se estragam. Com humildade, eles permanecem e se multiplicam.

O salmo de hoje nos lembra que Deus é Pai dos órfãos e protetor das viúvas; é Ele quem dá um lar aos deserdados, quem liberta os prisioneiros e prepara a mesa para o pobre. Vejam que imagem bonita! O nosso Deus não se manifesta no poder dos fortes, mas no cuidado dos pequenos. Ele mesmo se inclina para dar fartura a quem nada tem. A humildade de Deus é o modelo para a nossa.

Na carta aos Hebreus, contemplamos a cidade celeste, a Jerusalém do alto, onde estão os santos e os anjos em festa, e onde Cristo é o mediador da nova aliança. Isso nos recorda que nossa vida e nossas vocações não se fecham neste mundo, mas apontam para o céu. Ser humilde é reconhecer que a glória que esperamos não está aqui, mas na pátria definitiva que Deus nos prepara.

No Evangelho, Jesus nos ensina com uma parábola simples: não ocupes o primeiro lugar! Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado. E ainda acrescenta: quando fizeres uma festa, convida os pobres, os coxos, os cegos, aqueles que não podem retribuir. Isso é o Evangelho vivido: servir, sem esperar retorno; amar, sem buscar recompensa; doar-se, sem se colocar acima do irmão.

Queridos irmãos e irmãs, nossa arquidiocese vive um tempo de frutos, sim. Mas é também tempo de vigilância: precisamos cuidar para que esses frutos não sejam apenas números ou aparências, mas testemunho verdadeiro de humildade e de serviço. Os jovens que escutam o chamado de Deus devem aprender desde já que a grandeza da vocação não está no título, mas em lavar os pés; não está no prestígio, mas em se colocar no último lugar, como Jesus fez.

Hoje, a Palavra nos convida a continuar firmes, a reavivar o ânimo e vencer o desânimo cotidiano. Que cada vocação nascida entre nós seja um sinal de que Deus ainda faz chover sua graça sobre esta terra. Mas que a humildade seja sempre o solo onde plantamos e cultivamos esses dons. Pois é aos humildes que o Senhor revela seus mistérios, e é neles que sua Igreja se fortalece.


+Cardeal Araújo

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